Rafa parte II – escrevendo coluna de Melbourne

E para complementar o post que escrevi ontem sobre o Nadal, aqui vai o link da coluna que ele escreveu hoje para o jornal de Melbourne, The Age.

 

http://www.theage.com.au/sport/tennis/win-or-lose-its-a-good-start-20120125-1qi2u.html

 

A coluna não é muito longa, nem excepcional. Ele mesmo conta que escreveu com o PR dele, o Benito Perez Barbadillo, com quem trabalhei muitos anos no circuito. Mas, é uma outra maneira de deixar o espanhol ainda mais perto dos fãs. Por isso, vale a leitura.

HELLO everybody. Well, this is new for me to write a column for a newspaper before a semi-final match. I suppose there’s always a first time for everything.

I do have to say I have what they call a ghost writer for this piece, which is my PR guy Benito Perez-Barbadillo since, (1) my English is not that good, and (2) he can help me express myself a bit better as he knows this world better than me.

Here I am again in a semi-final of the Australian Open. After the past two years reaching the quarters of this tournament and not being able to finish well in the matches – I had to retire in 2010 against Andy Murray and last year got injured after the third game against David Ferrer – finally I am playing again in a semi and I’m very excited about it.

For me, it is very important and a happy moment to start the season. Win or lose, it is a good start considering the end of the season I had last year with many doubts.

It is always special to play against Roger (Federer), for many reasons, but for me to play against arguably the best player of all time – together with Rod Laver – is always something special.

This is the tenth time I have played him at a grand slam tournament and in most of the previous encounters we played the final.

He is playing amazing. Remember when many were saying he was done? Well, here it is. I always said it, he is a great champion.

Many people have asked me about my memories of the last match I played against him here in Australia. It was the 2009 final and that is one of the matches that will always stay in my memory.

After that very hard and physical semi-final, I never thought I could go out and play the final with many chances to win. We both played a great match, a beautiful match and I managed to win that one. That meant for me something special since it has been the only time I’ve won this event.

I am sure this semi-final will be another great match – hopefully very different to the last match we played in London, and I hope all the fans will enjoy watching.”

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Rafa

Desde que acabei de ler a biografia do Nadal, RAFA, de John Carlin, publicada aqui no Brasil pela Sextante, queria ter escrito sobre ele, fazendo uma resenha daquelas.

Mas, terminei a leitura no meio de uma época conturbada de trabalho e acabei deixando passar.

Continuo, como sempre, atolada de coisas para fazer, mas no meio do primeiro Grand Slam do ano, achei que valia a pena recomendar a leitura.

Antes de tudo, gosto de biografias, ainda mais quando são bem escritas.

A do Nadal, a exemplo da de Andre Agassi foi feita por um aclamado escritor, John Carlin, autor de Invictus. A de Agassi, foi escrita por um vencedor de Pulitzer.

Essas características por si só, já fazem a diferença.

As comparações, no entanto, param por aí. São bem diferentes.

Apesar de achar que biografias devem ser escritas quando o personagem em questão encerra a sua atividade de destaque, no caso, como fez Agassi, a de Nadal vale a pena.

Entre descrições detalhadas de jogos importantes da carreira do espanhol, que te fazem sentir dentro da quadra, há inúmeras páginas dedicadas à pessoa Rafael Nadal, que acabam por mostrar como tudo o que faz dele quem ele é, influenciaram e influenciam a sua carreira.

O mais surpreendente para mim foi como, ao ler o livro, deu para me sentir muito mais entendida sobre ele.

São passagens como a que ele revela o medo do escuro; de tempestades; o desejo de comprar um carro uma vez durante Roland Garros e que o pai não deixou; a relação próxima com a irmã Maribel; como ele se sentiu quando os pais se separaram – aliás, o pai aparece como muito presente na carreira dele, muito mais do que podia imaginar – e olha que eu costumo saber destas coisas -; como foi cada processo da descoberta e de recuperação das lesões mais sérias, inclusive detalhando visitas a médicos que jogadores raramente gostam de comentar, que fazem do livro especial.

São detalhes dos jogos mais importantes que revelam uma vontade de vencer ainda maior do que a vemos quando ele luta em cada ponto até o final.

Não sei que resultado esperar do confronto com Roger Federer na semifinal do Australian Open, depois desta vitória sobre Tomas Berdych, de virada.

Mas, com certeza, um grande espetáculo de tênis e a julgar pelo que aprendi no livro, um Nadal diferente do que vimos até agora em Melbourne.

 

 

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Hewitt, fenômeno 14 anos atrás, agora cativa na Austrália com o seu c’mon

Nunca fui muito fã de Lleyton Hewitt. Durante certa época, achava quase insuportável ouvir aquele C’mon. Mas, no caso dele, o currículo fala por si só.

E no meu caso, gostando ou não, foi um dos jogadores que vi crescer no circuito.

Lembro quando publicamos na Tennis View, em 1998, a foto dele, com 16 anos, para retratar a vitória no ATP de Adelaide. Ele era um fenômeno.

Naquela época, Guga já havia ganhado o primeiro Roland Garros, então nos acostumamos a ver o Hewitt sempre, seja jogando, nos hotéis, sala dos jogadores, enfim, no circuito, de perto.

Rapidamente ele se tornou herói na Austrália, ganhou o US Open e Wimbledon, tirou Guga do topo do ranking mundial (no fim de 2001, com a Masters Cup em Sidney), e reinou por várias semanas na ATP.

Ficou noivo de Kim Clijsters, o que me fazia pensar que ele não devia ser tão difícil assim, com aquela imagem de durão, um pouco anti-social..

Continuou conquistando títulos, terminou o noivado, casou com uma atriz australiana, hoje Bec Hewitt – inclusive o site do tenista é junto com a esposa – wwww.lleytonandbechewitt.com – , sempre representando a Austrália com orgulho nos confrontos de Copa Davis e começou a se lesionar.

Foram lesões no pé, no quadril e umas três operações nos últimos anos.

Anos em que foi aumentando também o número de filhos. Hoje tem 3 crianças com Bec.

Não sei se foram os filhos – muitos mudam para melhor com a paterninadade ou maternidade -, as lesões que o afastaram das quadras por vários meses, ou o próprio amadurecimento. Mas, Lleyton Hewitt, que nem sempre teve apoio unânime do público na sua própria casa, parece ter reconquistado esse carinho.

E não só pela vitória de hoje sobre Milos Raonic por 4/6 6/3 7/6 6/3.

Talvez, por ao longo dos anos, ter mostrado sempre em quadra o seu coração. Mesmo na derrota na final em 2005 para Marat Safin, no Melbourne Park, sua única chance de conquistar o Grand Slam de casa.

Como ele mesmo afirmou após a vitória em quatro sets sobre o canadense de 21 anos e 1,98m, ninguém apostaria que ele estaria na segunda semana do Grand Slam quando o torneio começou. “É muito especial porque só eu e a minha equipe sabemos o que precisamos fazer para eu chegar até aqui. Há algumas semanas eu não sabia nem se poderia jogar o Australian Open.”

Ex-número um do mundo, hoje na 181ª posição, ele precisou de um wild card para entrar na chave principal em Melbourne.

A última vez que um tenista convidado chegou tão longe na chave, foi Mats Wilander, em 1994.

A próxima rodada é um desafio ainda maior para o lutador Hewitt, o número um do mundo Novak Djokovic.

Mas, independente do resultado daqui para frente, é sempre bom ver um ex-número um do mundo, um tenista que durante uma certa época era quase imbatível, brilhando mais uma vez e mostrando porque apenas poucos, muito poucos, chegam a ocupar o posto mais alto do ranking mundial. Eles tem alguma coisa a mais dentro deles, que faz sim a diferença.

Enfim, fã ou não de Hewitt, foi emocionante vê-lo avançar, sabendo de todo histórico da carreira dele. Afinal, quem não gosta de histórias de superação?

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Para irmãos Bryan, momento é de união entre os tenistas e eles querem um acordo justo

Já estamos no terceiro dia do Australian Open, metade dos jogadores que viajou até o outro lado do mundo já está arrumando as malas para voltar – sim, nestes dois dias 64 homens e 64 mulheres já foram eliminados do torneio – e a polêmica que veio à tona no fim de semana, quando Nadal falou mais do que deveria, continua no ar.

Houve suspeita de boicote dos jogadores no Australian Open (os com ranking inferior queriam mais premiação / não entendam que acham que ganham pouco, mas acham que o que ganham comparado ao lucro que os Grand Slams tem é pouco  e essa discussão é antiga) e paralelamente a isso, depois de reunião do conselho dos tenistas bem quente, Nadal, em uma coletiva de imprensa, afirmou que não concordava com os pensamentos de Federer, de uma maneira não muito gentil. “”Estoy en desacuerdo con él. Es muy fácil decir yo no digo nada, todo es positivo y quedo como un ‘gentleman’ (caballero) y que se quemen los demás” – disse em espanhol.

A declaração pegou a todos de surpresa, especialmente pela imagem de amigos e respeito que sempre houve entre os dois.

Nadal, vice-presidente do conselho dos jogadores, luta por um ranking que tenha duração de dois anos, como o golfe e não de um ano e principalmente por um calendário com mais semanas de descanso, para preservar o corpo dos jogadores.

Federer, sempre mais saudável, não acredita em ranking bienal e acha que este ano, em que já haverá semana a mais de descanso, já foi um grande avanço.

O espanhol chegou a se desculpar depois, dizendo que não deveria ter feito a declaração aos jornalistas e sim diretamente a Federer. Os dois se entenderam, mas o assunto continua sendo notícia e tenho tentado ler tudo o que encontro de qualidade para me aprofundar mais sobre o tema.

O interessante é que Federer, o Presidente do Conselho dos jogadores e Nadal, o vice, parece que tem conseguido discutir assuntos e fazer bom uso do papel que tem. É raro contar com os nomes deles nesta posição. Antes de Federer, por exemplo,Ivan Ljubicic era o Presidente do Conselho.

Entre algumas matérias interessantes que andei lendo, esta foi uma que se destacou, em que os irmãos Bob e Mike Bryan, falam do ocorrido e afirmam que apesar de tudo, os jogadores do circuito nunca estiveram tão unidos.
Reproduzo aqui o texto do jornal australiano The Age, desta quarta, em Melbourne.

 

Players fight for the right to a fair deal

Bob and Mike Bryan

January 18, 2012

It’s hard to sympathise with millionaire tennis stars, but they have a point.

IT CAN get really tough when players start talking publicly about pay and conditions, because it’s not really what the fans want to be hearing about.

They want to see us at their tournaments, they want to see everyone play, and they don’t have much sympathy for our personal lives or our families and friends, which is understandable.

We’re lucky. We travel to great cities, we’re well paid and we have one of the best jobs in the world, so we try not to open our mouths about a lot of that stuff. But we have some interesting times ahead because the players are more united than they have been in a while.

For a long time, it was impossible to get anything done, because all the players wanted different things, but that’s starting to change.

By the end of the year, everyone’s exhausted. We’ve been on tour now for 13 years, and we’ve had three-week off-seasons for that whole time.

Mike has a big house, a pool and a volleyball court that he doesn’t get to use – he just gets the bills, so he doesn’t think he’s getting much bang for his buck there.

This year we’re going to have a few extra weeks off, which is a really smart move by the ATP, because with how things have stood for the last 20 years or so, players haven’t really had a chance to work on weaknesses.

You don’t want to change, say, your serve, and go straight into a tournament. You need some time at home to work on things, to hit the weights hard rather than just try and maintain where you’re at.

Playing so much tennis takes a physical toll too. It puts a lot of pressure on the top guys especially. That’s why Rafael Nadal has been so outspoken, because if he’s going to get back up to No. 1 in the world, he just has to keep playing tennis. He can’t afford to miss any events.

That’s where the rankings system comes into it, because if you get injured, your ranking drops straight away.

Sam Querrey got hurt for three months and dropped outside the top 100. If we’ve had injuries, we’ve kind of had to push through them, take three or four anti-inflammatories before a match and keep playing. And that would be pretty standard, because everyone has something. Nobody’s ever 100 per cent, but they could be with a three- or four-month off-season.

In a perfect world, we’d have the US Open, have the tour finals for the top guys, then shut things down. As far as the rankings go, look at golf: their rankings are done over a two-year period, which means Tiger Woods can take a year off, come back and still be No. 1.

We have a player council of 11 players, and every group of players is represented on that. There’s a couple of doubles players, there’s someone who looks out for the top players, and players for, say, the top 25 and the lower-ranked guys as well. Everyone has someone they can talk to. In the past it hasn’t really worked too well.

Everyone’s had their own agendas. When you’re talking about cutting the schedule, the claycourters don’t want to lose any of their events, and the hardcourt guys are the same.

We have mandatory meetings that every player has to go to – you get fined if you don’t turn up – and the guys on the council get together eight or so times a year, whether they meet or have conference calls and go through what they’re all thinking. The meeting on the weekend was apparently pretty fiery.

But it’s cool that we have Rafa, Roger Federer and Novak Djokovic on the council together – the big three. They might not be on the exact same page at the moment, but that’s going to happen. They’re uniting the players and making sure we have a voice.

They don’t need to do it – they’re millionaires, they’re great players and they could just focus on their tennis, but they’re trying to make the game better and take it into the future, and we’re becoming a stronger group because of it. We’re less divided than we used to be, and that will hopefully make it easier for things to get done.

We won’t be around when it happens, but we want things to be better for the young guys coming through in the future.

We have friends who’ve had hip replacements at the age of 40, and we don’t want guys to be limping around when they’re 25.

Read more: http://www.theage.com.au/sport/tennis/players-fight-for-the-right-to-a-fair-deal-20120117-1q4qg.html#ixzz1jlrW7Qji

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Temporada começando já? E Daniel Azulay, tênis, TV, arte, o livro A PORTA, e eu

A temporada 2012 lentamente já está começando, com exibição no mundo árabe, os qualifyings dos primeiros WTAs e ATPs do ano tendo início neste fim de semana e até mesmo o do Aberto de São Paulo. Antes parecia normal toda essa correria e pouco tempo de folga, até mesmo para os fãs, mas hoje, um pouco mais distante do dia-a-dia do circuito, confesso que parece estranho.

Claro que quando a Espanha venceu a Davis e a temporada oficialmente terminou, deu aquela sensação estranha de não ter tênis na TV por umas semanas, mas agora, que já nos acostumamos a checar os resultados on-line o tempo todo e ligar um dos canais esportivos ou streamings para assistir jogos, já parece muito cedo para a temporada recomeçar.

Mas enfim, este nem é o assunto deste post.

Só comecei a escrever sobre o fim / começo da temporada porque hoje, 30 de dezembro, recebi o livro de arte do Daniel Azulay, sim, ele mesmo, o do programa de TV da nossa infância com a turma do lambe-lambe, em que tive a honra de escrever a entrevista de abertura.

E muitos me perguntaram o que ele tem a ver com tudo o que eu faço.

Conheci o Daniel através do tênis. Carioca, ele sempre jogou pelo Country Club do Rio de Janeiro e fez a sua primeira grande exposição depois de voltar das Macabíadas, em Jerusalém, no fim dos anos 60.

Ao longo dos últimos anos nos encontramos em eventos de tênis no Rio. Lembro, ainda em 1998, quando o Guga jogou o Festival de Verão, na Praia de Copacabana, de fazer uma foto deles juntos.

Sem contato próximo, nos víamos de vez em quando e neste ano, quando meu trabalho em outras áreas começou a se expandir, incluindo a arte, passamos a nos encontrar com mais frequência em exposições pela capital carioca.

Há dois meses ele me contatou e me convidou para escrever a entrevista de abertura do livro, que mostra toda a obra do artista Daniel Azulay.

Passei um dia todo entrevistando o ídolo da infância de muita gente e conhecendo, no ateliê dele, todo o vasto trabalho de tão carismática pessoa.

Fiquei surpresa. Não conhecia toda a obra dele, nem detalhes  da técnica, da vasta imaginação e da fantástica liberdade criativa de Azulay.

Foram horas de uma entrevista bate-papo que se converteram em algumas páginas do belo livro A PORTA, da SMS Editora, com introdução e abertura dos mestres Ferreira Gullar e Paulo Klein.

Ganhei um belíssimo presente de final de ano – já não esperava ver o meu primeiro texto em um livro de arte em 2011 –, depois de um mais do que agradável encontro com o artista, que é sempre inspirador.

E hoje, no aniversário de outro mestre, Larri Passos, inspirada no que Daniel Azulay mais “transpira,” encerro o ano no blog com uma frase que ouvia sempre do Larri: ”Joguê tênis todo dia, jogue tênis com alegria.”

Ah e não poderia deixar de reproduzir o poema que abre o livro A PORTA

 

Uma porta de saída e passagem para o sonho nosso de cada dia.

Sempre entreaberta.

Um convite a oar livre

Uma ida aos limites

Da própria imaginação.

Quem quiser, é claro – poderá sempre voltar.

Se achar que vale a pena.

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Um raro bate-papo com Marian Vajda, o técnico de Djokovic

A temporada já acabou, os tenistas todos já estão em plena preparação para 2012, nas suas pré-temporadas pelo mundo.

Agora é o momento de relembrar como foi 2011 e homenagear Novak Djokovic, o destaque disparado do ano.

Para isso posto aqui a entrevista que a Tennis View, com Edgar Lepri, Leonardo Stavale e Nelson Aerts, fizeram com o homem que levou Novak ao topo, o técnico Marian Vajda, em Nova York, publicada na edição 116 da revista.

Vajda, o treinador que transformou Djokovic no melhor tenista do mundo

 

Qual o trabalho por trás do tenista de Novak Djokovic? Quem é o treinador capaz de fazer o sérvio passar Roger Federer e Rafael Nadal para disparar na liderança do ranking da ATP? O nome dele é Marian Vadja, um ex-tenista profissional, que chegou ao 34º lugar no ranking e vencedor de dois torneios ATPs. Feitos que parecem pequenos quando comparado às conquistas obtidas na sua segunda carreira.

Após parar de jogar por conta de uma lesão e se afastar do circuito para curtir a família, por volta dos 30 anos Vadja foi seduzido a iniciar a carreira como técnico ao ser convidado a trabalhar com o eslovaco Domink Hrbaty, na época 320º do mundo.  Para quem estava começando na profissão, Vajda não tem do que reclamar. Hrbaty foi o 14º melhor tenista da ATP, campeão de seis torneios e uma semifinal em Roland Garros.
Depois o treinador teve ainda boas experiências com Karol Kucera e embarcou no tênis feminino até receber a proposta há cinco anos de treinar a então jovem promessa Djokovic. De lá para cá, a história ficou conhecida, e muito. A relação de Vajda com Djoko vai além das quadras. O próprio tenista já afirmou que o treinador é como um segundo pai para ele. O treinador não é nenhum mágico, aparentemente sua grande maestria e genialidade é a capacidade infinita de entender como funciona a mente de seu pupilo.

 

Nesta entrevista exclusiva à Tennis View, realizada durante o US Open, Vadja destaca o fato de ter sido jogador como um diferencial no seu dia a dia como técnino. Diz saber saber a hora de dar um descanso, puxar um treino mais forte e motivar o jogador na medida certa. O treinador afirma também que a paciência é uma de suas maiores virtudes e que passou isso para Djoko quando o tenista ansiava por chegar ao topo. Confira esses e outros segredos do homem que transformou Djokovic no melhor tenista do mundo.

Tennis View  – Quando você se envolveu com tênis?

Marian Vajda – Eu tinha 10 anos e morava na Eslováquia, em Piestany, onde eu cresci. Fui apresentado ao tênis pelo meu pai, que tinha construído uma quadra na cidadezinha e tinha muitos bons técnicos me acompanhando.

 

TV – Como você avalia sua carreira como profissional? Você acha que poderia ter ido mais longe?

MV - O tênis era minha paixão, mas eu comecei a jogar profissionalmente muito tarde, com 18 anos, quase 19. Entrei no top 100 quando tinha 20 anos e meu objetivo, obviamente, era o de todo jovem tenista: ser o melhor do mundo. Sempre via Wimbledon quando era criança e sonhava com aquele troféu. Não realizei esse sonho, mas pude ganhar dois torneios de ATP Tour, fiz outras duas finais… Quando eu olho para trás, me sinto muito satisfeito. Talvez eu pudesse ter alcançado mais coisas, mas eu fui incapaz por minha carreira ter terminado com uma lesão, então parei com 30 anos.

 

TV – Quando você começou a ser treinador?

MV - Depois dos 30 anos, fiquei um tempo cuidando da minha família e senti que gostaria de voltar para o tênis. Tive uma proposta de treinar uma boa promessa, Dominik Hrbaty, que na época era 320º do mundo. Nós fizemos um período de experiência para ver se seria bom e eu realmente passei a gostar. No início eu ficava muito cansado, porque era completamente diferente a carreira de treinador e jogador. Eu precisava focar naquilo que ele estava fazendo, e não mais em mim. Mas começamos a trabalhar juntos, eu gostei e passei a me motivar, porque ele também tinha muita vontade de crescer. Foi assim que comecei como treinador, aos 31 anos e até hoje.

 

TV – Então você já começou com um trabalho muito bom?

MV - Sim, eu tive sorte desde o começo. Ele melhorou muito, fez mais de dez finais, foi semifinalista de Roland Garros e quase um top 10. Foi muito gratificante. Eu recebi muito crédito e sei que fiz um bom trabalho, mas estava com um jogador muito bom. Depois disso eu pensei que não conseguiria mais pegar nenhum bom jogador. Ele foi 12º, isso é o melhor que a gente consegue [risos]. Mas então eu ainda treinei Karol Kucera por dois anos e meio, trabalhei para a Federação por um ano e meio, depois um pouco no feminino…

 

TV – E como surgiu a oportunidade de treinar Novak Djokovic?

MV - Em 2006, eu recebi uma grande proposta da equipe que conduzia a carreira do Novak. Eles se lembravam de mim por ter treinado Dominik, mas eu não sabia quem o Novak era, porque na época eu estava treinando meninas. Aí eu fui para Paris, conheci os pais, a família e ele. E esse foi o início. Também tivemos um período de experiência, por cinco ou seis semanas, ele ganhou o primeiro torneio… E foi assim que tudo começou, de Wimbledon em 2006 e chegou ao auge agora [risos], com uma conquista em Wimbledon, então foi muito legal. Em cinco anos, ele alcançou o número 1 do mundo, o que foi realmente inacreditável. Ele é um cara muito talentoso e tenho muito sorte de contar com esse talento.

 

TV – Qual você acha que foi a grande mudança de Djokovic no último ano?

MV – Ele mudou muito mentalmente, sabe? Mas, em cinco anos de trabalho, ele sempre teve a ambição de ser número 1 do mundo, um desejo mesmo. E ele sempre conseguiu evoluir. Ele trabalhava em todos os golpes. Por exemplo, há um ano e meio o saque dele não estava muito bom. Trabalhamos com isso, depois o forehand, tudo da base. Hoje, ele tem esses movimentos praticamente perfeitos.

 

TV – E a diferença entre passar de top 3 para número 1 do mundo, o que mudou?

MV – Foi muito duro. Acho que ele percebeu algumas coisas importantes e está mais maduro. Se ele pode bater os números 1 e 2 do mundo, se ele pode ganhar a Copa Davis, ano passado, – o que o ajudou muito -, ele percebeu que poderia ser mais agressivo, mais rápido, fisicamente ele estava muito bem no final do ano, e isso tudo se juntou neste ano.

 

TV – Quais foram as mudanças físicas?

MV – Bem, ele parou de consumir glúten e reduziu muito o açúcar. Ele perdeu alguns quilos, está mais magro e muito mais rápido em quadra.

 

TV – O que é necessário para ser um bom treinador?

MV - É preciso ser paciente, viajar muito… ser paciente [risos], e é uma carreira dura. Você não pode ser dominante. Você precisa deixar o cara dominar, precisa ouvi-lo, ser muito paciente e definir metas, como evoluções em longo ou curto prazo. Mas você precisa ser muito paciente, porque você está diariamente com o cara, 24 horas por dia, e às vezes é difícil controlar os nervos, sabe? A carreira no tênis me ajuda, porque eu passei por isso como tenista e tive muitas experiências. É importante não confundir o jogador ao falar de algo que ele não está tão bom, mas ser paciente e melhorar aquilo. Teve um tempo em que ele estava muito para baixo e eu sempre dizia: ‘Você precisa ser paciente, você vai virar número 1. É um passo de cada vez, não vai ser de um dia para outro’. O mais importante é acalmar o tenista mentalmente, o que não é fácil.

 

TV – Você acha que ajuda muito ter sido um tenista profissional?

MV - Sim, definitivamente. Ajuda muito. Porque eu conheço tudo, todos os torneios, a programação de cada dia. Com o que eu fiz, eu posso dar exatamente o programa de treinos a ele sem causar overtraining, porque há treinadores que forçam demais, sabe? Eu tive sorte de conhecer boas pessoas na minha equipe, na preparação física, alimentar, na fisioterapia e sempre nos comunicamos. E a comunicação é muito importante, especialmente com ele (Djokovic), porque ele sabe identificar as coisas, então o que ele sente, ele conta para a gente. Ele é aberto com a equipe e tem muita sensibilidade nesse aspecto.

 

TV – E ele faz muito preparo físico?

MV - Acho que ele faz o mesmo que os outros, mas ele tem uma capacidade boa e pode “sintetizar” os exercícios muito, muito, muito mais rápido. Ele consegue aprender as coisas muito rapidamente e seu estilo de jogo é muito intenso. Por exemplo, atualmente, ele fica duas semanas sem jogar, volta para o circuito e joga do mesmo jeito. Enquanto muitos tenistas precisam de uma semana ou duas para retomar o ritmo. Então, isso é um talento, um dom.

 

(Fotos de Cynthia Lum)

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Parabéns Argentina

Parabéns Argentina

 

 

A essa hora a Espanha está comemorando a conquista da sua quinta Copa Davis. Estranho pensar que só é a quinta Saladeira espanhola da história e que até uma década atrás eles nunca tinham erguido a tão famosa Taça.

 

Dez, vinte anos atrás outros nomes, outras nações ainda dominavam o esporte. Estados Unidos, Grã Bretanha, Suécia cansaram de ganhar essa competição.

 

Mas, o post não é sobre o time de Rafael Nadal e sim sobre os argentinos.

Já faz tempo também que a nação vizinha deixou de ser uma força dominante no tênis como uma vez já fora, tendo quatro tenistas no top 10.

Eles ainda tem Nalbandian e Del Potro, mas nenhum dos dois está no auge. Já faz seis anos que Nalbandian ganhou o Masters em Xangai e dois que Del Potro venceu o US Open.

 

Por isso, chegar à final pela terceira vez em cinco anos e pela quarta na história e ter chances reais de vencer é para se aplaudir de pé.

 

Pelo que dizem os amigos jornalistas e há até livros escritos sobre o assunto, até hoje a Argentina não ganhou a Davis devido a brigas internas do time, o que aparentemente não aconteceu desta vez.

Como disse Nalbandian, os espanhóis ganharam porque foram melhores.

E ganhar de Nadal, no saibro, na casa dele, é missão quase impossível e Del Potro chegou perto.

 

O domingo também foi cheio de debates entre jornalistas e técnicos sobre a mudança de formato da Copa Davis, especialmente dos Americanos que depois que deixaram de chegar à final, não conseguiram fazer a competição ter destaque nos Estados Unidos.

Houve gente que falou que a Davis só importa para as nações que estão na final.

Não concordo. Quantas pessoas ao redor do mundo assistiram ao embate hoje entre Espanha e Argentina? E no ano passado entre Sérvia e França.

Depende sim da qualidade dos jogadores envolvidos e principalmente do coração que eles estão colocando em quadra.

Adoro os espanhóis e como não gostar de Rafa Nadal, mas gostaria muito de ter visto uma vitória argentina.

Com certeza uma Taça Davis chegando em Buenos Aires teria muito mais impacto no povo argentine do que ela tem nos espanhóis.

Mas mesmo assim, parabéns Argentina.

 

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Lembranças muito boas daquele Roland Garros 2001

Faz tempo, muito tempo que não escrevo neste blog que tanto adoro. Mas, como venho falando nos últimos meses, se o dia tivesse 48 horas, ainda faltaria hora para eu dar conta de fazer tudo, bem feito, em que estou envolvida.

Mas, como hoje é um dia especial, resolvi pelo menos postar aqui o texto que escrevi para a revista programa do Claro Rio Champions, sobre o jogo que comemora os 10 anos da conquista do tricampeonato do Guga em Roland Garros.

Foram duas semanas marcantes, cheias de emoção em Paris, em que quase voltamos para casa no meio do campeonato, naquele jogo com o Michael Russell. E depois, muita curtição no jogo com o Corretja e para mim, muito trabalho, depois da vitória, do desenho do coração na quadra Philippe Chatrier, da camiseta escrita “Je Aime Roland Garros”, das coletivas de Guga e do Larri…

Lembro de ter ido direto para a festa, com a roupa que estava no corpo naquele dia… e no dia seguinte sessão de fotos no Sacre Couer…

Há 10 anos Gustavo Kuerten era o número um do mundo. Havia começado a temporada no topo do ranking mundial depois de ter conquistado o título da Masters Cup, em Lisboa.

Chegava a Roland Garros como o cabeça-de-chave 1, detentor do título (campeão em 2000) e favorito a levanter pela terceira vez o “Trophee des Mousquetaires,” já tendo erguido no ano os trofeus dos ATPs de Buenos Aires e Acapulco, do Masters 1000 de Monte Carlo e ficado com o vice em Roma.

Derrotado na estreia do Masters 1000 de Hamburgo, aproveitou quase as duas semanas que separavam o campeonato alemão de Roland Garros para descansar e se preparar para o seu torneio favorito.

Já Corretja vinha de uma temporada sem grandes resultados. Havia alcançado as quartas-de-final em Barcelona e no Masters 1000 de Roma (perdeu para Guga) e com uma derrota na segunda rodada em Hamburgo, optou por jogar a World Team Cup, em Dusseldorf, onde marcou três vitórias.

Roland Garros começou e todos os olhos estavam voltados para o brasileiro e para o duelo de estreia contra Guillermo Coria. Muito se falou deste jogo, do jovem argentino que poderia complicar a vida do bicampeão. Mas, Guga não encontrou dificuldades para vencê-lo, por 6/1 7/5 6/4.

Na segunda rodada, vitória tranquila sobre outro argentino Agustin Calleri por triplo 6/4.

Veio a terceira rodada e o jogo contra o marroquino Karim Alami complicou um pouco, mas Guga se superou e estava nas oitavas-de-final do Grand Slam francês novamente.

Enfrentaria o desconhecido americano Michael Russell, vindo do qualifying e num dia sem muito sol e com muito vento em Paris, parecia que o caso de amor entre Guga e Roland Garros estava se acabando. Russell chegou a ter match point no terceiro set para eliminar o brasileiro, mas num ponto longo e com uma bola na linha Guga se salvou e começou a mudar a história do jogo e estreitar ainda mais a sua relação com o público francês.

Empurrado pela torcida e em busca do seu melhor tênis no meio da partida, Guga venceu o americano em um emocionante jogo de cinco sets e ao término da partida, em agradecimento ao público, desenhou um coração na quadra Philippe Chatrier.

Em seguida vieram as vitórias sobre Yevgeny Kafelnikov e Juan Carlos Ferrero, bem mais tranquilas do que em anos anteriores e lá estava o brasileiro em mais uma final de Roland Garros, contra um adversário não tão esperado quando o torneio começou. Outros favoritos como Safin e Agassi haviam sido eliminados em rodadas anteriores.

Corretja chegava na final só com um jogo complicado em Roland Garros naquele ano, o da estreia contra Mariano Zabaleta, em cinco set. Depois, passou por Knippschild, Larsson, Santoro, Federer e Grosjean sem perder um set.

Começava a final e o vento dominava a quadra central. Corretja jogava o seu melhor tênis e levava o primeiro set por 7/6(3) e continuava jogando melhor no segundo. Até que Guga conseguiu quebrá-lo no 5×5 do segundo set, vencer o a segunda parcial e passar a tomar controle do jogo.

Quando começou o terceiro set, o brasileiro já dominava o jogo e no quarto set passou os seis games com já curtindo a vitória. “Mesmo quando eu tentava errar uma bola ela entrava,” lembrou Guga, de tão bem que estava jogando no último set de Roland Garros. “Foi o meu ano mais emocionante em Paris, por causa daquele jogo com o Russell e foi o ano em que eu mais curti a vitória.”

 

Ao término do jogo, Guga desenhou novamente o coração para demonstrar todo o seu amor por Roland Garros, deitou dentro dele e na hora da premiação ainda vestiu uma camiseta desenhada por ele na noite anterior com os dizeres: “Eu amo Roland Garros.”

 

 

 

 

 

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De Thomaz Koch a Saretta, tenistas relembram momentos históricos no PAN

O Brasil tem tem uma riquíssima história nos Jogos Pan-Americanos, com muitas medalhas e conquistas que marcaram a vida dos tenistas e jogos que entraram para a história do nosso País, como a final do Pan de Santo Domingo com Fernando Meligeni vencendo Marcelo Rios

A conquista de medalhas no entanto data de bem antes do que o ouro de Meligeni em 2003. Desde os tempos de Maria Esther o Brasil já tinha tradição no tênis.

Tennis View, desde o começo do ano, vem fazendo uma série de matérias especiais para resgatar a história de medalhistas como Dadá Vieira, Patrícia Medrado, Marcelo Saliola, Nelson Aerts, João Soares, Thomaz Koch – o maior medalhista de todos – Luciana Tella, Gisele Miró, Flávio Saretta, Joana Cortez, entre muitos outros.

Enquanto João Souza, Rogerinho Dutra Silva, Ricardo Mello, Teliana Pereira, Vivian Segnini e Ana Clara Duarte tentam manter a tradição do Brasil, em Guadalajara, nesta semana, reproduzo aqui parte do material feito por Fabiana de Oliveira, Leonardo Stavale e Edgar Lepri, na Tennis View, com memórias do Pan!

 

 

De Thomaz Koch a Saretta, medalhistas relembram as conquistas no PAN

 

Thomaz Koch

“Os Jogos Pan-Americanos, a Copa Davis e os torneios de Grand Slam, são as emoções mais fortes, mais marcantes na minha carreira tenística. Participando dos Jogos Pan-Americanos, pude sentir pela primeira vez que o esporte tem uma linguagem comum. A convivência com os outros atletas, principalmente do basquete, futebol, box e atletismo, tudo é uma coisa só, mesma adrenalina. Preparação antes dos jogos, nervosismo, black out mental em alguns durante a prova, etc. Para mim, foi uma constatação maravilhosa poder ver com os olhos de esportista qualquer evento e ter a noção de como esse ou aquele atleta estava sentindo durante a prova, o porque de uma reação assim ou assado.
Em segundo lugar, vencer o torneio com a torcida brasileira, atletas do basquete liderados pelo Amauri e outros esportes, dando a maior força na vitória contra Arthur Ashe em Winnipeg, Canadá. Na época, comparavam com Cassius Clay – ainda não era Muhammad Ali -. E, de bandeja, ainda venci a dupla com Mandarino, meu parceiro de tantas batalhas. E ainda teve a participação como técnico em dois Pans-Americanos, com os tenistas Fernando Roese, Gisele Miró, Neco Aerts, Patrícia Medrado, Marcelo Saliola, Claudia Chabalgoity, Andréa Vieira. Foi muito legal. Tenho excelentes lembranças e saudades dos Pan-Americanos. A melhor lembrança que tenho é comemorando as vitórias no tênis, basquete e futebol, com os respectivos técnicos após a vitória final nos três esportes”.

Ouro em simples e duplas em Winnipeg 67

 

 

 

 

 

 

 

 

 

André Sá

“A medalha no Pan significou muito, pessoal e profissionalmente. Ganhar uma medalha numa competição tão importante mostra que você está fazendo as coisas certas e chegando aos seus objetivos. Essa medalha de ouro me deu muita confiança para acreditar que poderia competir contra os melhores. Foi um momento muito especial na minha carreira. O melhor foi escutar o Hino Nacional e levantar a bandeira do Brasil”.

Ouro nas duplas em Winnipeg 99

 

Gisele Miró

“A medalha de ouro no Pan foi meu resultado mais importante, até mesmo pela repercussão que teve. Graças ao título no Pan de Indianápolis, sou lembrada até hoje. As lembranças são muitas e todas boas. Fui a mais jovem integrante da delegação brasileira em Caracas, com 14 anos. Quatro anos mais tarde, conquistei a medalha de ouro e a de bronze ao lado do Fernando Roese, em Indianápolis. Subir no pódio e ouvir o Hino Nacional é uma experiência indescritível. Também fiz muitos amigos, em diversos esportes. Todas as noites nos reuníamos na Vila para saber dos resultados. Sempre que possível, pegava carona no ônibus das delegações para ir torcer pelo vôlei, basquete, natação, futebol, atletismo e ginástica. Muitos atletas também foram torcer por mim. Tafarel, Romário e Bebeto viviam me pedindo bolinhas de tênis e até cheguei a ir treinar junto com a equipe feminina de vôlei. No ano seguinte, ganhei um torneio da WTA na Itália e o Oscar [Schmidt], que jogava basquete na cidade, foi quem me entregou o troféu”.

Ouro em simples e bronze em duplas em Indianápolis

 

Vanessa Menga

“A medalha nos Jogos Pan-Americanos significou tudo na minha vida e na minha carreira. Foi uma das conquistas mais importantes e emocionantes. A melhor lembrança foi da vitória, ouvir o Hino Brasileiro, ver a bandeira ser estiada e receber a medalha de ouro no topo do pódio”.

Ouro em simples em Winnipeg 99

 

Fernando Meligeni

“A medalha no Pan foi o encerramento de uma carreira com chave de ouro. Tinha o sonho de jogar o Pan e nada melhor do que jogar e vencer. Foi a oportunidade de dar ao Brasil um título e uma medalha no esporte que eu tanto amo. Tenho muitas lembranças da competição. O dia a dia na Vila é sensacional. A final, sem dúvida, foi um marco na minha carreira”.

Ouro em simples em Santo Domingo

 

Joana Cortez

“A primeira medalha de ouro, em Winnipeg (1999) foi, sem dúvida, o momento mais importante da minha carreira. Estava começando a disputar o Circuito Profissional e sempre sonhava em participar de competições representando o Brasil, como Fed Cup, Pan e Olimpíadas. Foi um momento único jogar ao lado da Vanessa Menga. O ambiente dos Jogos Pan-Americanos é maravilhoso. Lembro-me de ter disputado uma final emocionante contra as chilenas, contando com o apoio da torcida e também de atletas brasileiros de outras modalidades. Ganhar a medalha de ouro e ouvir o Hino Nacional foi, sem dúvida, inesquecível”.

Ouro nas duplas em Winnipeg 99 e Santo Domingo e bronze nas duplas no Rio

 

Luciana Tella

“A medalha dos Jogos significou pra mim algo diferente, melhor do que qualquer troféu que tenho em casa. Acho que desperta na gente uma sensação especial de estar defendendo o País e um sentimento muito gostoso, que não tem preço. Saber que aquela medalha conta pontos para o nosso País é muito bom. O clima, as amizades, tudo é muito especial e diferente do que um torneio comum. Subir ao pódio é maravilhoso. A minha melhor lembrança é de quando jogamos a semifinal em Mar del Plata, contra a Argentina, e lá estavam todos os nadadores da seleção brasileira. Eles gritavam muito, era de arrepiar. Isso não acontece em nenhum torneio. Lembro-me do Xuxa gritando e aí consegui entender a importância daquele jogo. São lembranças lindas”.

Bronze nas duplas e por equipes em Mar Del Plata

 

Patrícia Medrado

“A medalha de prata do Pan do México foi a conquista que mais orgulho me trouxe. Apesar de ter perdido na final, subir ao pódio representando um país é uma sensação insuperável. Teve o sabor do inesperado, uma vez que eu não constava na lista das favoritas. Também representou uma  superação, pois, na década de 70, ser baiana e jogar tênis não era uma combinação de sucesso. A grande surpresa aconteceu na semifinal, quando venci em dois sets uma tenista americana [Sandy Step], que havia me derrotado na primeira fase do torneio. Outra grande lembrança foi o meu retorno ao Brasil e o carinho que recebi de todos, culminando com uma volta olímpica na Fonte Nova [antigo estádio de futebol de Salvador], mostrando a medalha,  em dia de clássico, juntamente com o futebolísta baiano Leguelé que também havia trazido uma medalha para o esporte baiano”.

Prata em simples na Cidade do México

 

Marcelo Saliola

“É sempre uma honra defender o país, independente da conquista de medalhas. No meu caso, que conquistei ouro e bronze, foi ainda mais satisfatório. Essa conquista é uma coisa que ninguém tira de você, e você lembra pra sempre. A melhor lembrança que tenho foi na final por equipes, quando o Neco e eu enfrentávamos a equipe de Porto Rico. Vencemos no terceiro set por 7/6. Lembro que na arquibancada estavam integrantes das equipes de basquete, atletismo e natação e eles invadiram a quadra para comemorar com a gente”.

Bronze em simples e ouro por equipes em Havana

 

Nelson Aerts

“Participei de duas edições do Pan, em Indianápolis e em Cuba. O tênis tem um problema sério: é um esporte muito individualista, ele não cria no atleta, desde pequeno, a cultura de defender o seu clube, por exemplo. No Pan e nas Olimpíadas é a oportunidade que temos de nos aproximar de outros esportes, ver que outros esportistas passam pelas mesmas dificuldades que nós. Atletas de outras modalidades são mais acostumados a se posicionares ao lado de entidades esportivas, então participar de eventos como esses faz com que o tenista abra sua visão. É um ganho inacreditável. Você representa seu país, se integra com outros atletas, compete em equipe. Só quem foi consegue ter um entendimento maior da importância do esporte, entendendo que ele pode mobilizar um país. Tive a oportunidade de jogar em Cuba, que é referencia mundial ao desenvolver pessoas por meio do esporte e da educação. Vi que lá o esporte é capaz de transformar uma ilhazinha em um país respeitado por seus atletas. Foi um aprendizado muito grande. Tenho duas lembranças boas: em Cuba, a dedicação e entrega do Saliola e do Kyriakos, que eram mais jovens e suportaram bem a pressão; e nas duas edições do Pan, as amizades geradas com pessoas que até em tão não tinha contato e ficaram pra sempre”.

Ouro por equipes em Havana

 

João Soares

“Foi muito legal. Joguei com João Carlos Schmidt [Filho], tivemos três match points no tiebreak, contra os Estados Unidos. Lembro que no 6/5 o Schmidt disse: ‘eu vou sacar e você cruza’. Eu não cruzei e nós acabamos perdendo o jogo e a oportunidade de ganhar a medalha de ouro. Ah, se eu pudesse voltar atrás seria ótimo. Mas, a dupla dos Estados Unidos era muito boa, já jogavam tênis profissional. Eu estava no tênis universitário. Foi muito legal ganhar uma medalha e estar ao lado de atletas de diversas modalidades”.

Bronze nas duplas na Cidade do México

 

Teliana Pereira

“Ter a oportunidade de jogar o Pan-Americano no Brasil e trazer uma medalha para casa foi algo que vai ficar marcado pra sempre. Guardo essa medalha com muito carinho, me dá motivação pra melhorar a cada dia. Com certeza, a melhor lembrança da disputa foi subir no pódio, receber uma medalha e ouvir o Hino Nacional.”

Bronze nas duplas no Rio

 

Andréa Vieira

“O Pan foi uma experiência única. Estive em Cuba e Mar Del Plata. O tênis é um esporte individual, então é uma experiência nova para nós que estamos sempre viajando sozinhos. Pude conhecer a rotina dos atletas que praticam esportes coletivos. Nos sentíamos mais seguros por sermos integrantes de uma equipe, é muito motivante. O complexo de tênis era perto da Vila, então queríamos ganhar para que todos pudessem ouvir o Hino Nacional sendo tocado para nós. É um privilégio estar em uma competições dessa, não tem dinheiro que compre a sensação de estar lá. Acredito que os tenistas só sentem algo igual quando estão na Davis ou Fed Cup, porque é quando todos estão com o sangue quente pelo país. Pra se ter uma ideia, eu cheguei à terceira rodada de Roland Garros e a repercussão não foi a mesma das conquistas no Pan”.

Ouro por equipes em Havana e Bronze por equipes e nas duplas em Mar del Plata

 

Miriam D’Agostini

“Eu ganhei a medalha de bronze por equipe nos Jogos Pan-americanos de Mar del Plata. Eu era bem jovem, tinha 15 anos e foi muito emocionanete subir ao pódio e receber a medalha. O mais bacana foi vivenciar pela primeira vez o clima dos Jogos Pan-americanos, conviver com os outros atletas brasileiros na Vila e poder acompanhar outras modalidades esportivas. Dentro da quadra, minha melhor lembrança foi a disputa da dupla mista ao lado do Márcio Carlsson. Apesar de não termos levado uma medalha, foi ótima a experiência.”

Bronze por equipes em Mar del Plata

 

Flávio Saretta 

“O Pan foi muito importante pra mim. Foi minha última vitória como profissional e praticamente a última competição que disputei, porque logo depois eu me lesionei. Foi especial por ter sido no Brasil e por valer uma medalha, que é algo super diferente para um tenista. Minha melhor lembrança são os vários match points que eu salvei: foram dois na semifinal contra o Schwank e dois na final [contra Adrián García]”.

Ouro em simples no Rio

Os brasileiros medalhistas Pan-Americanos

Cidade do México 1955
Bronze
Ingrid Charlotte Metzer/Maria Esther Bueno

São Paulo 1963
Ouro
Roland Barnes
Maria Esther Bueno
Bronze
Carlos Fernandes/ Roland Barnes

Winnipeg 1967
Ouro
Thomaz Koch
Thomaz Koch/Edson Mandarino

Cidade do México 1975
Prata
Patrícia Medrado
Maria Cristina Andrade/Wanda Bustamente Ferraz

João Soares

Indianópolis 1987
Ouro
Fernando Roese
Gisele Miró

Havana 1991
Ouro

Nelson Aerts, Marcelo Saliola, William Kyriakos Cláudia Chabalgoity  Andréa Vieira
Bronze
Marcelo Saliola
Andrea Vieira

Mar del Plata 1995
Bronze

Andrea Vieira, Luciana Tella, Miriam D’Agostini  e Vanessa Menga
Andrea Vieira/Luciana Tella

Winnipeg 1999
Ouro
Joana Cortez/Vanessa Menga
André Sá/Paulo Taicher
Bronze
Paulo Taicher

Santo Domingo 2003
Ouro
Fernando Meligeni
Bruna Colósio/Joana Cortez

Rio de Janeiro 2007
Ouro
Flávio Saretta
Bronze
Teliana Pereira/Joana Cortez

 

 

 

 

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A reciclagem é um caminho sem volta. Iniciativas sustentáveis aumentam nos eventos.

Tenho andada afastada do meu blog, por pura falta de tempo e inspiração também. Escrever por escrever, não é o meu caso. E quando aculumamos funções de mais, acaba faltando tempo para sentar, pensar, se inspirer, escrever.

Mas, nesta semana, na Tetra Pak Tennis Cup, em Campinas, encontrei o momento e a inspiração.

Desde o começo do ano venho trabalhando com o Tião Santos, os catadores de recicláveis, entrando em um novo mundo e em todo evento de esporte ou não que tenho alguma participação venho tentando incluir cada vez alguma ação sustentável.  Fizemos algumas ações nos últimos eventos da Try Sports, em Campos do Jordão – MasterCard Tennis Cup e no Itaú Masters Tour.  Participamos com a Rede Extraordinária da Coleta Seletiva do Back2Black e do ART RUA.

Agora, na Tetra Pak Tennis Cup, conseguimos montar diversas ações que saíram do papel e vieram para ficar.

Sinto orgulho de fazer parte desta estrutura e de ter conseguindo com o pessoal da Tetra Pak todas essas iniciativas.

Os jogadores todos se surpreendem com a água embalada em caixinha tetra pak – assim é 100% reciclável – e com as ações pela Sociedade Hípica de Campinas.

Fernando Meligeni, em visita ao torneio, participou da campanha para entrega voluntária de recicláveis, em um PEV (posto de entrega) que ficará na Hípica, permanentemente.

São novos tempos e cada vez mais empresas estão entendendo que a reciclagem veio para ficar. É um caminho sem volta e benéfico. Simples ações que fazem e muito a diferença.

 

  • Sociedade Hípica de Campinas – PEV (Posto de Entrega Voluntária) durante e depois do evento
  • Campanha para reciclagem dos tubos de bolas de tênis de plástico e metal
  • Água do evento, inclusive para os tenistas, em embalagem Tetra Pak
  • Lonas serão recicladas
  • Bolas usadas doadas para projeto social
  • Papelaria do evento com papel e caneta reciclável
  • Cooperativa Reciclar coleta  papel, papelão, vidro e latas
  • Cooperativa Eu Reciclo recolhe para reciclaro óleo da cozinha do evento
  • Demonstração do processo de reciclagem das embalagens Tetra Pak
  • Exibição do filme “Carbono e Metano”
  • Separação dos aneis das latinhas de refrigerante para o projeto FRATO SOCIAL – transforma os mesmos em cadeiras de roda.

 

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